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Trás-os-Montes
O Rancho Folclórico da Casa do Povo de Vilarandelo foi fundado em 1966, por iniciativa de uma pessoa ímpar na sua dedicação às gentes da nossa Terra – a Menina Alcininha.
Ao longo destes anos, temos procurado ser fiel representante do Folclore da Terra Fria do Nordeste Transmontano.
Esta procura de autenticidade tem tido o apoio inestimável da Federação do Folclore Português, a partir de 1986, assim como não podemos esquecer o valioso suporte que nos tem sido oferecido pela Divisão de Etnografia e Folclore do INATEL.
Para melhor conseguirmos atingir este objectivo – sermos um fiel e autêntico veículo de divulgação do riquíssimo folclore de Trás-os-Montes – o Rancho Folclórico de Vilarandelo tem realizado trabalhos de pesquisa e recolha de cantares, danças, músicas, usos e costumes não só no concelho de Valpaços, mas também no vizinho concelho de Vinhais.
Todas as peças etnofolclóricas que apresentamos em público são fruto desse trabalho de recolhas. De entre as inúmeras peças de trabalho recolhidas, salientamos:
O Cantar das segadas – enquanto vão segando os trabalhadores vão cantando e vão bebendo o vinho pela cabaça que o patrão não esquece.
Malhadas - depois das segadas eram as malhadas e no seu final dançava-se um baile de roda, a meio do qual o patrão do pão era levado ao montão e prometia rebuçados para as mulheres e cigarros para os homens.
Linda Morena e Trigueirinha – são duas canções que os trabalhadores do campo Cantavam quando iam ou vinham do trabalho.
Ó Lua, deita o Luar – cantada nas noites de degranhada do milho.
Li-Lá-ré - peça semelhante a muitas existentes na Galiza, cantada nos serões de Inverno, enquanto se trabalhava a lã ou o linho.
Bendito – cantar religioso, executado em Vilarandelo, do Natal ao Reis.
Aos Domingos, o povo reunia-se no terreiro ou no adro da Igreja, cantando e dançando:
O Cidadão ao meio – baile de roda em que se brincava com os namoricos.
Murinheira e Passeado e Carvalhesa – danças de gaitas de foles de dias de Festa muito especiais, como por exemplo, o dia de S. Estevão em Travanca.
Das peças acompanhadas a realejo, salientamos:
Malhão das Imbigadas –Malhão muito especial. Dançado só por homens, que acontecia nas adegas, depois de todos estarem já bem compostos com umas boas canecas da nossa Pinga. Outras danças domingueiras: Paspalhão; Pai do Fandango; Malhão antigo; Murinheira.
Ao apresentarmos uma das peças pretendemos recriar, da forma mais fiel, o ambiente em que elas aconteciam. Assim, os nossos trajes são reproduções fiéis dos usados pelos nossos avós, utilizando os mesmos materiais - linho, lã, burel,cotim , riscado, surrubeco, couro e palha, trabalhados com as técnicas antigas.
Para maior autenticidade usamos adereços como as ceitoiras, malhos, canecas de barro, gigas e cestas de vime, potes de ferro, cadeias de azeite, etc.
Os instrumentos utilizados na tocata são: realejo, concertina, bandolim, gaitas de foles, pandeiro, ferranholas, ferrinhos, pinhas, caixa e bombos. Mas o instrumento mais usado são as nossas vozes!
Pelo Rancho Folclórico de Vilarandelo já passaram mais de uma centena de elementos que, ao longo destes anos, ajudaram a levar o Folclore da nossa região a todo o Portugal, desde Vila Nova de Cerveira a Olhão, assim como a outros países – França, Espanha, Suíça e Hungria.
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